sábado, 13 de agosto de 2011

Quando a Disney ligou


Foi como se alguém tentasse me recompensar pelo que eu estava passando na escola. Não muito depois do acidente do banheiro, eu recebi uma ligação surpresa – dessa vez era da Disney dizendo que eles queriam que eu fosse pra Los Angeles para fazer o teste em pessoa para Hannah Montana. Estava no meio do ano letivo ! Ponto! Eu poderia faltar escola, e a tortura 101. Mais aí eu me lembrei. Eu também tinha meus compromissos como líder de torcida. 

Perder um simples treino era uma grande coisa. A coreográfa contava com todas presentes. Afinal, você não pode fazer uma piramede sem a garota do topo. Na verdade, é pior tentar fazer uma piramede sem uma das garotas do meio !
De alguma forma minha mãe conseguiu me afastar dos treinos. Eu voei pra L.A, anciosamente com minha mãe, corremos até a audição no tempo, eu mal conseguia disfarçar minha anciedade, abrimos a porta para sala de espera e lá estavam outras 15 garotas querendo ser a Hannah esperando para serem vistas. Minha mãe e eu trocamos olhares. Nós pensávams que eu era finalista. Eu acho quenós nos enganamos. Nós brincamos que tinham Hannahs suficientes para nomear todos os estados, não apenas Montana.(Hannah Indiana, Hannah Connecticut, Hannah Idaho...). Eu sei, eu sei, mas nós tínhamos muito tempo pra matar naquela sala de espera. 

7 lugares que eu desejo ir
1. Fiji
2. Austrália
3. Itália
4. Hawaii
5. Alemanhã
6. Espanha
7. Carolina do Norte

A sala de espera pra audição da Hannah Montana era como a sala de espera de um consultório lotado. Tinha revistas velhas, cheiros velhos, muita tensão – e todas estávamos lá para sermos examinadas. Alguma das mães que estavam lá com suas filhas, usavam muito perfume, me deixando com dor de cabeça. A única salvação é que pelo menos eu não tomaria nenhuma vacina. Apesar de que eu tinha certeza de que não conseguir o papel doeria muito mais e por muito mais tempo. 

Enquanto nós esperávamos, e esperávamos mais, eu podia ver alguma das garotas e suas mães nos encarando. Minha mãe, graças a Deus, nunca foi uma dessas mães. Ela ignorou os olhares, mas eu não conseguia. Estava tenso naquela sala. Não ajuda você pensar sobre qual delas é mais bonita ou mais preparada ou mais talentosa.Enquanto estava sentada,eu dava curtas olhadas para as outras garotas. Eu não reconhecia nenhuma delas – e nem esperava por isso. Eu já tinha feito algumas audições, mas eu não tinha extamente conhecido toda a cidade.

A maioria das garotas eram mais velhas e muito mais altas. Muitas delas eram lindas. Algumas tinham cabelo preto brilhante. Outras longos cabelos loiros. Algumas tinham dentes bramcos perfeitos e brilhantes. Eu olhava pra como elas estavam vestidas, como elas se maquiavam, e como elas usavam o cabelo. Pelos visuais isolados, eu podia perceber que muitas delas leveriam o papel de casa. E eu podia apenas imaginar o tipo de experiencia que elas tinham. Eu me sentia fora da organização. Audições são de longe a coisa mais assustadora, e momentos com nervos a flor da pele que eu já tive. Todo mundo estava fazendo um teste, eu gostava das performaces, mais eu também queria o trabalho, então a anciedade era enorme. Mas nesse dia em particulas, a líder de torcida em mim tomou conta.
Minha treinadora de líder de torcida, Chastity, era realmente durona. No Nashville, algumas pessoas me tratavam diferente porque eu era filha do cantor Billy Ray Cyrus. Elas me tratavam diferente porque meu pai era alguém. Chastity não era uma dessas pessoas. Se eu errasse, ela me faria correr ao redor do ginásio como todo mundo. Se ela era alguma coisa, ela pegava mais pesado comigo. Eu tinha medo de voar – ser aquela pessoa no topo que é jogada para o ar – mais ela me punha pra trabalhar naquilo de novo e de novo. Eu não era a melhor tumbler , mais ela me fez praticar até parecer certo. Eu repetia aquilo na minha cabeça, até parecer que estive girando em círculos por horas.

Chastity não importava quanto tempo demorasse. Ela sempre ficava orgulhosa, contanto que eu não desistissi. Ela sempre dizia: “Não conseguir, não faz parte do meu vocabulário.”Chastity me ensinou que quando eu queria alguma coisa, eu precisava dar duro para conseguir. Eu queria esse papel muito mesmo. Quem disse que essas garotas polidas de L.A eram melhores que eu? Quando finalmente chamaram meu nome, eu estava preparada. 

Na sala de audição, eu via um painel com 10 pessoas. Eu encarava eles, vestida com minha mini-saia e minha camiseta – Ambercrombie fora. Você quer que eles se lembrem de você, então eu fiz tudo para me destacar. Pela primeira vez na minha vida, foi bom eu falr demais. Eu só tive de ter certeza que estava sendo eu mesma e não apenas deixando o nervosismo me dominar. As pessoas que escolhiam o elenco me pediram para ler o script, e depois cantar. Eu cantei um pedaço de Mamma Mia! Como em toda audição, eles fizeram comentários como, “Você pode tentar um pouco mais feliz?” ou “Leia de novo como se você realmente estivesse brava com seu irmão.” (É engraçado, eu estava tão nervosae não fazia nem idéia de quem eram as pessoas atrás do painel. Eles eram apenas estranhos intimidantes. Agora eles são pessoas que eu estou próxima e trabalho com todos os dias.)
Quando eu saí daquela sala eu não fazia ideia de como eu tinha ido. E eu ainda não conseguia relaxar, mesmo já tendo terminado. Mais ou menos. A parte mais estressante das audições e que você não pode ir pra casa até eles falarem que você terminou. Você fica na sala de espera, vendo as outras garotas sendo chamadas de volta, sem saber se você vai ser chamada para ler alguma coisa diferente ou para cantar de novo. E você nunca sabe porque elas estão sendo chamadas de novo. Ou porque você não é chamada de novo, mais também não é liberada. Eles gostaram de você? Eles te amaram? Um deles te odiou? Eles estão preocupados sobre seu cabelo? Seu peso? Eles nunca te dão a menor esperança. 

Eu fiz meu melhor, mais acabei voltando para casa, em Nashville, sem nenhuma notícia boa. E aí, algumas semanas depois, eu recebi outra ligação. “Você é uma finalista!” Okay, e foi assim que aconteceu. Talvez eu recebesse meu ticket de saída da sexta-série afinal. Mais uma vez eu precisava me afastar das líderes de torcida. Pela segunda vez. Mais uma vez e a Chastity iria me expulsar do time. Eu voei pra Los Angeles, anciosamente e correndo com minha mãe, correndo para chegar as audições a tempo, mal conseguindo conter minha anciedade, abri a porta para sala de espera, e – tinham trinta outras Hannahs queremos ser esperando para serem vistas. Parece familiar?

Eu estava começando a me sentir como uma daquelas bolas que são tacadas num jogo. Toda vez que eu era isolada, eles me puxavam de volta apenas para me chutar de novo. Bem, era um pouco mais gentil que isso. Mais eu tinha 11 anos. Era uma montanha russa.** Nos rostos daquelas 30 meninas, eu via a realidade. Eu mal tinha feito algum progresso. E eu definitivamente voltaria para sexta série.

**Nota da Miley: Isso é mais como uma metáfora amigável.

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